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Desemprego só deverá diminuir em Pernambuco


A economia de Pernambuco começa a sinalizar uma recuperação em ritmo lento, mas a retomada do emprego só deverá acontecer em 2018. Este ano o comportamento continuará a ser de queda e a taxa de desemprego não deverá arredar de dois dígitos.

A pedido do Conselho de Gestão do Lide Pernambuco, a Ceplan preparou um estudo sobre Empregos e gasto público – Pernambuco e o contexto nacional.

O levantamento apresenta os fatores que contribuíram para o Estado aparecer entre os que mais fecharam vagas no Brasil e porque a retomada não será rápida.

A convergência entre a desmobilização da obra da Refinaria Abreu e Lima, em Suape, e a recessão foram as razões que fizeram Pernambuco começar a derrocada dos empregos antes mesmo do movimento nacional. Em 2014, enquanto o Brasil fechava o ano com saldo positivo de 398,1 mil vagas, Pernambuco perdia 13,7 mil empregos. Começava naquele ano o traumático processo de desmanche do canteiro da refinaria da Petrobras, que culminou com a demissão de 42 mil trabalhadores e uma infinidade de ações judiciais para receber salários e rescisões. No País, as vagas sumiram com força em 2015, quando foram perdidos 1,5 milhão de empregos.

“O Estado foi golpeado por vários fatores que eliminaram os empregos. A recessão foi um deles, mas tivemos outros complicadores como a crise e as investigações de corrupção na Petrobras. Isso impactou as encomendas do Estaleiro Atlântico Sul (EAS), a continuidade das obras da Refinaria Abreu e Lima e o fiasco da PQS e da Citepe. Outro fator foi a coincidência da desmobilização da refinaria e o início da crise econômica. Os desligamentos na Rnest eram planejados, mas não se esperava que as pessoas não tivessem como se recolocar por conta da recessão”, afirma o sócio-diretor da Ceplan e coordenador do estudo para a Lide, Jorge Jatobá.

A instabilidade no ambiente econômico e político continuam no Brasil, mas a perspectiva de avanço das reformas vai preparar o cenário para uma melhora que ainda não deverá se consolidar este ano. “A retomada do crescimento deverá ficar para 2018. No caso de Pernambuco, estamos estimando uma queda de 3% no PIB de 2016 e de 0,5% em 2017. Uma melhora só deverá acontecer em 2018, com estimativa de crescimento de 1,5%”, destaca Jorge Jatobá.

Tendência

Diante desse cenário, o mercado de trabalho em Pernambuco deve continuar registrando alto desemprego este ano, mantendo a taxa de desocupação na casa de 10%. Além da alta taxa também preocupa a precarização do emprego. Nos anos de bonança vivemos um apagão de mão de obra e uma corrida pela qualificação profissional para ocupar as vagas com melhores salários. Hoje profissionais qualificados estão fora do mercado. “Engenheiros formados nos últimos três anos não conseguem emprego e estão estudando para concurso, que também teve uma redução da oferta. E a chegada do Uber ao Estado está servindo de atividade para quem precisa ganhar algum dinheiro”, exemplifica.

Na avaliação de Jatobá, a boa notícia é que Pernambuco tem as condições postas para se recuperar com mais rapidez porque conseguiu manter as finanças públicas em dia e tem um parque industrial com investimentos estruturadores.